A Tentação de Abimael
Me chamo Abimael, sou natural de Sapé – PB mas atualmente resido no Rio de Janeiro. Na década de 50, quando minha família mudou-se para o sudeste, eu tinha apenas 10 anos de idade, mas já trabalhava num dos poucos engenhos de açúcar que restaram na Paraíba. Era uma vida sofrida, trabalhava na moenda. O momento mais difícil da minha vida foi ver meu irmão, Cléberson, acidentando-se. Em um momento de brincadeira (indevida para aquele local), ele tropeçou num balde cheio de água e caiu no triturador.
Naquele momento, senti um vazio dentro de mim. Cléberson era meu irmão-melhor amigo, era ele quem brincava, estudava e trabalhava comigo, apesar de minha mãe ter gerado 6 homens e 4 mulheres. Depois desse incidente nunca mais fui o mesmo. Durante a “peregrinação” até o Rio, era como se eu deixasse minha alma na Paraíba…

Você deixou saudades, Cléberson
Nos primeiros dias na capital, meu pai procurava trabalho em todos os lugares possíveis, enquanto minha mãe trabalhava de doméstica numa casa de família. Ela recebia o equivalente a dois salários mínimos (atuais). Era bem tratada, recebia cuidados médicos, era auxiliada no transporte e às vezes dormia lá para cuidar do Júnior (o filho mais novo do casal). Toda aquela mordomia me intrigava, mas como eu tinha apenas 10 anos ninguém me ouvia. Certo dia fui ajudar minha mãe no trabalho, enquanto ela limpava a casa eu aparava a grama do quintal e lavava o carro. Mas como criança é curiosa, achei um dia de abrir o porta-luvas do carro. Deparei-me com um panfleto preto com letras vermelhas, que dizia mais ou menos isso:
“Casa espírita do Pai José D’angola -Traga a foto do seu parente falecido e converse com ele.”
Consulta espiritual Naquele momento meu coração leviano se encheu de esperanças: Eu finalmente iria rever meu amado irmão!
Comecei a juntar dinheiro. Guardava-o enterrado no quintal da barraca que morava. Aquela era a oportunidade da minha vida. Com pouco mais de dois meses eu já tinha a quantia suficiente para reencontrar meu irmão Cléberson. Voltei pra casa por volta das 17 horas, era uma sexta-feira. Tomei café com bolacha e fui dormir. Quando o relógio apontou 23:15 eu saí de modo furtivo para não chamar a atenção. Cheguei ao Centro Espírita indicado no endereço. Era um galpão cercado por um muro de aproximadamente 3 metros de altura. A cada pilastra, tinha uma crânio de cavalo iluminado por um candeeiro. A vegetação em torno daquele lugar era morta e contorcida, nem ao menos um pouco de grama parecia sobreviver àquele solo.
Tomei coragem e entrei pelo portão principal que estava entreaberto. Ao passo que caminhava aquele ambiente ia ficando cada vez mais mórbido. Lá dentro algumas mulheres estavam escoradas num poste, pelas vestes pareciam prostitutas.Enfim,adentrei àquele recinto e fui logo procurando o Pai José D’angola. Sentamos numa mesa redonda e coberta por um tecido fino, da cor branca e com algumas gravuras, entre elas um pentagrama e um bode com chifres tortos.
Começamos a consulta e logo senti um vento frio atravessar minhas vestes, Pai José deu um salto para trás e ficou em decúbito ventral, bradando algumas palavras incompreensíveis, junto com grunhidos roucos. Logo em seguida ouvi uma voz aguda e aparentemente angustiada, ERA MEU IRMÃO! Reconheci prontamente a sua voz. Ele rapidamente falou para eu fugir daquele local, disse que minha vida corria riscos e que eu só estaria a salvo num templo evangélico. Assim que ele falou isso, Pai José retomou a consciência. Eu,apavorado, joguei todo o meu dinheiro em cima da mesa e parti em disparada na direção da rua.Lágrimas corriam em minha face.
Já em alta madrugada cheguei em casa. Abri a porta e tropecei no armário da cozinha. Minha mãe assustada veio ver o que era. Eu estava chorando e tremendo de medo. Contei para ela o que havia acontecido. Na manhã seguinte ela pediu demissão do seu trabalho. Fomos a um Culto Evangélico para recebermos a rosa do descarrego. Apesar de desempregada, com a palavra do Pastor nos tocou a alma. Daquele dia em diante minha família apenas venceu.
Hoje sou Pastor, tenho quatro filhos com minha amada esposa Judite. Graças ao bom Deus minha meus irmãos vivem bem (todos evangélicos), meus pais formam o casal de idosos mais bonito e apaixonado do mundo.Essa é a lição que fica.Não adianta procurar outras formas de felicidade, ela só virá com Cristo.
TORNE-SE EVANGÉLICO E PISE NA CABEÇA DO DEMONIO PARA SUBIR OS DEGRAUS DA VIDA!
Pastor Abimael


