Chefe Católico, Assédio Moral

postado em: Fiel Pergunta
26/09

Pastor Silas, meu nome é Nicodemos Mourão, sou evangélico desde criancinha e um dizimista fiel. Ano passado comecei à trabalhar numa loja de auto-peças, fui fichado como funcionário de serviços-gerais. Tenho carteira assinada e ganho um salário razoável.

Infelizmente o gerente da auto-peças, Daltão, é católico e no início deste ano ele notou o broche com a pomba da Igreja Internacional preso ao meu peito. Ao me perguntar o que era aquilo lhe esclareci que se tratava do símbolo minha adorada Igreja. Ouvindo minha resposta ele gargalhou dizendo:

"Você é crente?! Rá, rá, rá, rá, rá!"

Foi aí que começou meu martírio. Como todo católico, o Daltão odeia crentes. Logo passou a me designar serviços mais degradantes, como lavar banheiro, varrer o chão, fazer café e lavar vasilhas.

Eu era humilhado, após os serviços eu ficava bastante sujo, mesmo assim ele me mandava fazer pagamentos nos bancos e ir aos correios. Eu entrava nas agências fedendo à suor e com a cara toda manchada de graxa.

Mesmo sabendo do meu culto diário às 18 horas ele me mantinha trabalhando até tarde para fazer fechamento de caixa. Qualquer vacilo meu era uma gritaria. Eu tinha tratamento diferente dos outros funcionários.

Sexta-feira passada foi a gota d'água. A privada dos mecânicos entupiu e ele me mandou ir lá arrumá-la. Me deu um par de luvas de borracha e um arame. Eu disse que não fui contratado praquilo. Ele riu-se e disse que sim, serviços-gerais englobava tudo. Tive que obedecê-lo.

Ao entrar no banheiro e sentir aquele aroma insuportável e ver aquilo tudo boiando senti um grande desânimo. Mas inspirado em Cristo, tomei coragem e enfiei meu braço lá dentro. Embora estando com luva a sensação era de que minha mão realmente estava naquela água marrom. Finalmente localizei o motivo do entupimento: uma grande massa disforme de fezes humana que bloqueava a saída d'água. Ao puxar pra fora me descuidei e a água entrou toda na borda da luva, a inundando com aquele líquido grotesco. Senti repulsa.

Após terminado o serviço fiquei sentado no banheiro refletindo nas palavras do pastor Dagoberto e imaginando se era aquilo mesmo que Deus tinha designado pra minha vida.

O que devo fazer pastor? Não posso pedir demissão pois estou pagando o financiamento da minha Fiorino 1990 à álcool na Caixa Econômica Federal.

Caro, Nicodemos, li seu e-mail vertendo lágrimas. Você não tem idéia de como me entristece ver um irmão protestante fazendo o labor incumbido somente às mulheres.

Não é fácil conviver com esta gente que acha que é cristã mas na realidade serve ao Satanás. Eu mesmo já passei situação parecida: no tiro de guerra, meu sargento e alguns cadetes eram católicos. Eu tentava manter distância e não ter nenhum tipo de contato com os imundos de alma, mas a diversão dos católicos é tentar diminuir o evangélico, talvez por inveja de nossa fé inabalável. Sofri grande perseguição por meu credo. Eu era obrigado à lavar o banheiro e na hora das refeições tinha que cuspir à distância no meu pedaço de carne pra ninguém tocá-lo, pois os católicos sabotavam meu almoço todos os dias.

Fico impressionado com o tempo que você suportou dentro desta empresa. Você já passou pelo batismo de fogo, agora é a hora de dar a volta por cima.

Meu conselho não é que peça demissão. Simplesmente não vá mais ao seu local de trabalho, não dê satisfação ao inimigo. Peça ao pastor Dagoberto que escreva uma carta de recomendação e procure amanhã mesmo um labuta verdadeiramente cristã.

Assim fazendo, creio que serás feliz e te livrará de todo o mal.

A paz,

Pastor Silas.


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