Pastor Silas, meu nome é Benedito, sou legista e plantonista no necrotério municipal. Preparo os cadáveres de minha cidade, Inhumas para o sepultamento.
É um trabalho que muitos consideram repulsivo e degradante, mas a gente acaba se acostumando com os corpos. Alguns chegam bem arrebentados, como em casos de acidente de carros, já outros chegam intactos. Nestas situações o procedimento é simples, eu aplico um corte transversal com o bisturi do esterno até o umbigo e no abdomên um pequeno corte longitudinal de 5cm. Abro as costelas e retiro todos os órgãos. Serro o crânio e retiro o cérebro. Faço a pesagem do coração e fígado para deixar registrado na ficha de óbito, em seguida costuro tudo e limpo. A minha ajudante, Otaviana, veste a roupa e os maqueia.
Ocorre que, semana passada, chegou um corpo novo, ao abrir o saco notei que se tratava de uma antiga colega de colégio minha, a Guta. Ao reconhecê-la fiquei em choque, pois ainda não estava ciente de sua morte. Controlei meu nervosísmo para que Otaviana não notasse, em seguida fui ao banheiro para me acalmar e refletir bem.
Guta tinha sido minha paixão no colégio, meu primeiro amor. Mandava várias cartas de declaração e até alçamos um namorico, porém fui terminantemente proibido por meus pais de vê-la, por ela não ser evangélica (era espírita).
Depois do segundo-grau me mudei para a capital para fazer universidade. Acabei me esquecendo dela. Todavia aquela paixao latente despertou-se novamente no instante em que lancei a vista sobre aquela pele pálida, aqueles lábios arroxeados, olhos entreabertos mirando o nada infinito e sua expressão serena e ao mesmo tempo cadavérica.
Voltei à mesa de necrópsia e pedi pra Otaviana sair. Fiquei por um momento admirando o corpo perfeito de Guta, que estava disposto ao lado de um gordo Agiota morto à tiro. Aqueles seios fartos, ancas largas, barriguinha de pilão. Meu coração de gelo pulsava novamente com grande ardor.
Meu sonho de adolescência era possuí-la, mas acabei perdendo a virgindade numa casa de tolerância, com uma mestiça sifilenta, que não possuia os dentes da frente e nao depilava as axilas.
Bem, deixei a Guta e terminei de preparar o agiota. Como de costume eu era o último à sair e trancava a sala de necrópsia. Num ímpeto resolvi levar a Guta pra minha casa; Guardei-a num saco preto e em seguida a carreguei até minha camioneta F-1000 branca 1985 à diesel.
Nem mesmo eu conseguia acreditar na loucura que eu estava fazendo, agi por impulso. Ao chegar em minha casa, já passava da meia noite, levei o corpo sorrateiramente pra dentro e a coloquei deitada em minha cama.
Peguei o vestido de noiva da minha falecida mãe, a maquiei toda e consumamos o ato sexual por três vezes. Pra minha surpresa ela ainda era virgem! Morreu por volta dos 22 anos e ainda era virgem! Porém ela não verteu sangue, pois eu já havia feito a drenagem pra evitar o endurecimento (rigor mortis).
Dormimos juntos aquela noite, abraçadinhos. Mas logo cedo ao acordar caí na real, já passava das seis da manhã, e eu estava com um cadáver em minha cama. Novamente a embalei e joguei-a como se joga um saco de feijão na caçamba da camioneta.
Felizmente cheguei antes de Otaviana. Preparei seu corpo e ela foi sepultada no mesmo dia. Ao entregar o corpo de Guta para seus pais ri-me, por saber que ela iria ser enterrada violada e com meu esperma.
Sou temente à Deus e sei que fiz uma coisa terrível mas não me arrependo nada, fiz tudo do fundo do meu coração.
Mas me diga, pastor Silas, ainda tenho salvação?
Caríssimo Benedito, fiquei bastante chocado ao ler seu relato. Eu conheço os pais desta garota, Augusta dos Anjos, mas mesmo assim, por ética, este assunto ficará só entre nós dois.
O que a Bíblia diz: O povo de Deus sempre foi instruído a respeitar os corpos de pessoas mortas, enterrando-os o mais breve possível. Quem tocasse num morto era considerado "impuro" para realizar algumas atividades, por três dias. A instrução do Senhor era contra qualquer tendência à necrofilia – Nm 19:11-16.
Então, meu caro, por três dias você estará impuro em Cristo. Mas pelo seu relato, disse que achou graça ao saber que a moça seria enterrada violada por ti. Com esta demonstração de sadismo fica implícito que você foi manipulado por alguma entidade do espiritismo.
Sabendo que a garota era espírita é muito provável que ela estava imunda e carregava consigo o umbanda e candomblé. Se for este o caso, sim isto te ausenta totalmente da culpa, mesmo assim lhe recomendo, urgentemente, uma sessão do batismo na piscina sagrada, realizado todas às quintas-feiras às 19 horas.
A Paz.
Pastor Silas.