Possessão Espiritual
Aqui em Itajubá a parada é foda, tem muito centro espírita mesa-branca e católico , dos males o menor, pois pelo menos não tem ateu nem nada disso. Mas acho que no comparativo tem mais irmãos, graças a Deus. A turma da minha igreja é muito unida, fazemos encontros de jovens, viagens e a galera nova se reúne todo final de semana na pracinha perto daqui de casa pra bater um futebol amistoso.
Foi no mês passado que se deu o triste ocorrido. Nas peladas não tem nenhum profissional, todos jogam um futebol mediano, uns pernas-de-pau. Ronaldo Candela, um sujeito alto da perna fina, não era lá essas coisas. Ele mandou um bico de botina na pelota e ela vazou por cima do muro do tenebroso Centro-Espírita Casa da Vovó Conga. A turma ficou puta da vida. Eu tentei amenizar e falei pra gente arrumar outra bola que era melhor. Ele disse que tudo bem, ia lá pegar a bola. Eu o alertei, falei que ali era um centro-espírita e que eu nem passava perto daquilo. O povo ávido pra jogar o incentivou, então não pude impedir que pulasse o muro.
Pulou e ficou uns 10 minutos lá do outro lado, começamos a ficar impacientes, alguns gritaram. Nenhuma resposta. Fiquei preocupado. Foi que de repente Ronaldo pula o muro, que devia ter uns 2 metros de altura, num salto só, sem usar as mãos. Vi que tinha algo de errado ali, a turma não reparou, estavam destraídos conversando.
“Até que enfim, Ronaldo! Porque demorou ?” Perguntei.
Ele não respondeu e começou a jogar. Nunca vi ele jogar daquele jeito: fazia firula, dava dribles por debaixo das canetas, drible da vaca, balãozinho, fez um gol de bicicleta, tabelou, não errava um toque e corria sem parar com um arranque incrível. Parecia o Ronaldinho Gaúcho. No final da partida, como era de costume, ficávamos por ali na pracinha papeando até anoitecer. A galera se reuniu lá e foram parabeniza-lo pelas ótimas jogadas, mas ele nem deu bola, pegou suas coisas e saiu sem dar a menor satisfação ou se despedir. Muito estranho.
Nos dias que se passaram reparei que ele parara de freqüentar os cultos às 18 horas, faltou o futebol. Fui ter com o pastor Catarino e falei do ocorrido. Catarino se mostrou bastante preocupado, disse que achava seriamente que ali estava mais um caso de possessão espiritual para ser resolvido. Fomos nós dois à casa de Ronaldo.
Bati palmas, seu filho nos atendeu ao pé da porta.
-”Cadê seu pai ?”
-”Saiu.”
-”E sua mãe ?”
-”Tá cagando.”
Essa resposta me deixou perplexo. Eu e Catarino nos entreolhamos e concluímos que ali claramente não se tratava de um lar cristão. Eu disse ao menino que íamos esperar a senhora por ali e que era pra ele avisá-la.
Esperamos um pouco e ela saiu à porta. Perguntamos do Ronaldo, e ela nos falou o que já suspeitávamos. Disse que ele estava totalmente mudado, e que estava desconfiada de que ele estava bebendo cachaça. Fora isso também suspeitava de traição, porque a vizinha disse que o viu no Vila Nova shopping center de mãos dadas com um garotão forte, de camisa regata, boné Von Dutch, aparentando ter uns 20 anos, e os dois trocavam carícias.
Catarino, bastante confiante, disse à mulher para ficar tranqüila, nós íamos resgatá-lo e trazê-lo de volta ao Cristo-Rei. Saímos dali e demos uma ronda no bairro à procura de bares, antros da perdição. Não foi difícil; Avistamos o cara logo ali, jogando sinuca, com uma garrafa de Pitú na mão.
“Ronaldo, o que significa isso ?”
Ele completamente bêbado, com um bafo de cana fermentada, balbuciou algumas coisas incompreensíveis. O cramunhão falava através dele, creio.
Catarino deu a ordem para tirá-lo dali primeiro. O pegamos pelo braço para arrastá-lo, mas o dono do bar disse pra darmos o fora porque ele não gostava de crente, ia chamar a polícia. Catarino, muito destemido, empunhou sua bíblia de bolso que sempre carregava no bolso da camisa e bradou em nome de Cristo lindas palavras que agora não me recordo.
Candela ao ouvir a passagem da sagrada escritura se contorceu e deitou-se em cima da mesa de sinuca, gritando e proferindo dispautérios. As bolas da mesa todas foram encaçapadas com o movimento frenético que fazia.
Segurei-o e Catarino começou o processo de exorcismo. Quando a bíblia sagrada foi de encontro com a testa de Candela ele soltou um grito ensurdecedor, deixando todos os álcoolatras que ali se encontravam assustados. Deu um pulo e grudou no teto de forro paulistinha, contrariando a lei divina da gravidade. Pastor Catarino bradou: Desce em nome de Jesus! (Fazer exorcismo em bar é mais difícil, já que é um lugar impuro e imundo).
Vendo aquela cena, o dono do bar, ficou boquiaberto. Deve ter sido a primeira vez que viu o Diabo agindo daquela forma. A sessão durou 3 horas, Catarino ficou suado e exausto, Ronaldo desmaiou, mas já estava livre.Depois desta prova do poder de Deus, todos que estavam ali no bar foram convertidos, inclusive o dono, que em sua loucura disse que odiava evangélicos.
Hoje Ronaldo está curado, conseguiu reatar os laços matrimoniais com sua amada e o bar em questão hoje é um templo de nossa renomada igreja.
Glória.
Josefel Janatas.



Quando descobrí que tinha AIDS em 1999 meu mundo desabou. Fiquei furioso e decidi que todos ao meu redor deviam sofrer também. Fazia sexo sem proteção com qualquer coisa que respirasse: homens, mulheres, travestis, animais; Jogava sangue deliberadamente em pessoas nas ruas, espalhava agulhas contaminadas em poltronas de cinema, repartições públicas, estádios e igrejas.
Meu nome é Eduardo Araújo, sou do Ceará. Tenho 32 anos, moro com a minha mãe e meu irmão; Sou bacharel em direito pela Unifor, estou desempregado no momento, porém estou prestando concursos públicos.

