O pai de santo e o Maverick de Ogum
Amigos, espero que ouçam meu testemunho e aprendam(com meus erros) quais devem ser os caminhos a serem seguidos para o encontro com Jesus.
Bem, me chamo Roberval Santana, resido na tórrida cidade de Ilhéus, na Bahia.Na década de 70, quando ainda era um jovem, trabalhava na colheita de cacau numa roça do, na época, prefeito. Trabalhava cerca de 8 horas por dia, sete dias por semana. Era remunerado pela pesagem dos caroços de cacau, estes usados para a produção de chocolate. Naquela época o cacau reinava absoluto na economia do sul baiano e devido a sua supervalorização os lucros vinham rapidamente. O que recebia na época era suficiente para sustentar minha família e sobrar alguns trocados para a diversão do final de semana.
Foi nessa época que convivi juntos aos boêmios que, saturados pela monotonia, se reuniam no Bar Vesúvio para conversar, beber e às vezes, encontrar com o “fabuloso” Jorge Amado. Nessa época, eu freqüentava a igreja católica, devido às origens da minha família. Mas,como todos sabem, os católicos têm passagem livre pelos terreiros de candomblé, inclusive, alguns padres daquela época freqüentavam e aliciavam crianças para os sacrifícios.
Como naquela época (eu jovem e inocente), passei a freqüentar aquele ambiente tenebroso.

Logo nos primeiros dias, o pai de santo Henrico das Almas, sujeito conhecido em Ilhéus devido a força dos seus trabalho satânicos, conversava comigo e se mostrava bastante amável e pacífico. Logo na segunda semana, ganhei uma bicicleta Monark Barra circular vermelha, que segundo ele, serviria para a minha locomoção do trabalho para o terreiro.
Ao final do primeiro mês, a lavoura de cacau que eu trabalhava passou a render o dobro, meu salário cresceu respectivo aos lucros do prefeito. Em pouco mais de seis meses, devido ao lucro exorbitante do meu trabalho, consegui adquirir um Corcel Sedã 1969 da cor vermelha (cor escolhida pelo Henrico). Após essa aquisição minha vida mudou. Eu era um dos únicos trabalhadores da roça a possuir um carro (ainda mais um Corcel que naquela época equivaleria a um Vectra 2.2 hoje), sempre andava com roupas de marca e mulheres, várias mulheres, praticamente uma por noite. Eu era feliz. A cada dia que passava, eu me aproximava mais do terreiro… lá eu me sentia bem, era como se minha alma estivesse presa àquele ambiente.
Enfim,passaram-se 6 anos, meus costumes mudaram, saí da lavoura, aluguei alguns apartamentos que havia adquirido no centro e fui viver na cidade vizinha, Itabuna. Lá era como se eu estivesse na capital, São Paulo. Tinha cinema com pipoca industrializada, refrigerante sabor cola e chiclete tuti-fruti. Esses eram meus novos vícios. Com alguns meses, Henrico me ligou na madrugada pedindo que eu fosse urgentemente a Ilhéus, sua voz estava estranha, era como se algo estivesse o sufocando.
Depois de 40 minutos de viagem, cheguei ao terreiro, me benzi com padre que estava sentado na porta fumando um baseado e entrei. Henrico estava na cama, coberto por três cobertores de lã vermelha. Ele suava frio e tinha espasmos musculares constantes. Perguntei se ele não queria ir para o hospital, ele aceitou. Entramos no meu carro (agora um Maverick Gt V8 de cor azul) e fomos ao hospital, no caminho, ele começou a conversar comigo num tom de despedida.
Ele dizia:
—Roberval, nos últimos meses você parou de freqüentar meu terreiro. Porque você me abandonou?
Respondi prontamente:
—Mas Henrico ,eu não te abandonei, apenas mudei de cidade. Nunca gostei de Ilhéus.
Ele rebateu:
—Nunca gostou? Tudo o que você conquistou foi trabalhado aqui.
E em seguida fez sua tréplica, agora em voz alta e rouca:
—TUDO, EU DISSE TUDO, DA BICLCETA A SUAS CASAS, TUDO ISSO FOI MEU TRABALHO. EU QUE SACRIFIQUEI AS CRIANÇAS, EU QUE FIZ A LAVOURA DE CACAU MELHORAR DAQUELA FORMA.
E bradou:
—EU COMPREI SUA ALMA!
Nesse momento senti com se meu corpo fosse violentamente atirado de um prédio de 20 andares!
—Mas, mas…m…como assim comprou minha alma?
—EU COMPREI SUA ALMA PARA MIM. VOCÊ SEMPRE FOI MEU OBJETO DE DESEJO. E AGORA QUE ESTOU MORRENDO, VOCÊ NÃO SERÁ DE MAIS NINGUEM!
Naquele exato momento,o volante do carro deu um giro e o acelerador travou em 12 mil rotações. Tentei reverter de toda forma, puxei o freio de mão, reduzi a marcha mas nada resolvia. Eu era passageiro do meu próprio carro!
No final da avenida o carro bateu. Estávamos a aproximadamente 140km/h. Quando o carro bateu eu desmaiei. Com cerca de 15 minutos acordei no hospital. Perguntei o que havia acontecido e o enfermeiro pacientemente me explicou:
—Roberval,você perdeu o controle do carro e bateu numa igreja evangélica.
E perguntei:
—E o Henrico? Onde ele está?
Ele respondeu:
—Henrico? Mas não havia mais ninguém no carro. Só você, seus documentos e uma boneca espetada com agulhas repletas de veneno.
Naquele momento senti um calafrio na coluna, tentei levantar mas minhas pernas não se moviam. Naquele momento fiquei exaltado e fui sedado. Depois de algumas horas fui acordado pelo médico e um psicólogo. Eles me explicaram o que aconteceu e me deram a fatídica notícia: Eu estava paraplégico!
Fiquei muito triste e entrei em depressão.
Fui para a casa da minha irmã, em Vitória da Conquista, no sudoeste. Ela era muito atenciosa e amável.
Certa feita, ela me levou para um culto da sua religião. Era um culto evangélico. Nas primeiras vezes eu achava chato e retórico. Com alguns dias voltei ao local do acidente. O templo já estava reconstruído e naquele momento, havia um culto.
Entrei de forma tímida e estacionei minha cadeira de rodas na última fileira. Passado alguns minutos, o Pastor (hoje meu amigo pessoal) Catarino, começou a contar uma história que se assemelhava à minha. No meio do culto ele se aproximou e olhou nos meu olhos e disse:
—Você tem fé!
Naquele momento senti uma agulhada na minha coxa esquerda. Continuei olhando fixamente. A cada segundo sentia como se algo arrebentasse meu cérebro. Comecei a chorar e ele disse:
—Homem, levante-se dessa prisão, essa cadeira de rodas não lhe é mais útil. LEVANTE!
Eu balbuciei um movimento mas não resisti, estava fraco. Ele continuou o culto gritando:
—LEVANTE HOMEM, VOCE É MAIS FORTE QUE ESSA CADEIRA DE RODAS!
Nesse momento levantei de uma só vez. Chorei por horas, estava muito emocionado. Fui de imediato à frente e comecei meu testemunho.
Hoje sou Pastor evangélico, tenho uma esposa e seis filhos. Tudo o que construí foi graças às minhas forças aliadas ao poder Divino. Nunca mais ouvi falar do Henrico, não fiz questão de retornar àquele local amaldiçoado. A lavoura de cacau, hoje, não rende mais nada, foi afetada pelos poderes do capiroto (hoje, os estudiosos chamam de Vassoura-de-bruxa).
Enfim, que esse testemunho de vida sirva de lição para os jovens que estão lendo. Nunca se envolvam com padres, pais-de-santo ou pessoas que lhe ofereçam uma vida fácil. Esperem em Cristo nos templos eganvélicos . SÓ NÓS SEREMOS ABENÇOADOS! FAÇA PARTE DO NOSSO EXÉRCITO DIVINO.
Pastor Roberval Santana.



Quando descobrí que tinha AIDS em 1999 meu mundo desabou. Fiquei furioso e decidi que todos ao meu redor deviam sofrer também. Fazia sexo sem proteção com qualquer coisa que respirasse: homens, mulheres, travestis, animais; Jogava sangue deliberadamente em pessoas nas ruas, espalhava agulhas contaminadas em poltronas de cinema, repartições públicas, estádios e igrejas.

