Só pode haver um

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23/12

Pastor, Silas. Meu nome é Miguelito, tenho 12 anos e moro no interior do Mato-Grosso. Aqui há um lago com vários cágados, aquelas tartarugas que vivem n’água. Todo dia recolho uns 20 cágados novos e levo pra minha casa num balde vermelho. Chegando lá as levo até a oficina do meu pai e coloco, de duas em duas, numa prensa hidráulica. Organizo uma tabela na forma de chaves, como nas disputas futebolescas remotas.Prendo-as com esmero, buscando centralizar com perfeição a força à ser aplicada. Vou apertando a prensa igualmente até uma das duas estourar. A que não é estourada é a campeã da rodada, ganhando o direito de enfrentar outra oponente na disputa. No final só sobra uma, a vencedora, que possuir o casco mais forte. Levo-na até uma caixa de sapatos (Nike Shox) recobertas com papel alumínio, simbolizando o Adamantium do seu escudo. Logo após, as vencedoras são separadas e colocadas num criatório, um aquário com água salgada (concentração de 25%) por cinco minutos. Como elas ficam desidratadas, em seguida são encaminhadas para um recipiente de plástico onde recebem ração e podem nadar à vontade na piscininha que improvisei.

Todos os dias faço o mesmo procedimento, com o objetivo de selecionar as espécimes mais fortes, com o objetivo de cruzá-los. Há seis meses venho trabalhando. Inclusive estou procurando outro lugar bom de cágado, pois lá no laguinho já há poucos disponíveis, talvez seja consequencia dos efeitos do aquecimento global.

Meu objetivo é conseguir uma raça de cágados com uma carapaça impenetrável para forjar uma armadura e ingressar no seu exército da salvação.

Miguelito

Ex-Médico Convertido

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07/12

Testemunho de Fé

Minha história de superação em Cristo:

medicina

Eu sou formado em Medicina pela uma universidade federal do Rio Grande, turma de 1985. Ao começar a exercer a profissão, me desiludi. Eu apenas enganava as pessoas, prescrevendo medicamentos que sabia não funcionar, apenas para ajudar a aumentar os lucros da indústria farmacêutica, ganhando muito dinheiro com isso.

Vendia emplastros para velhinhas, receitava Epocler para hepatite, dorflex para câncer, fazia exames físicos desnecessários, especialmente em mulheres bonitas (Chegando inclusive a fazer exames de próstata em algumas) . Estava perdido da vida em Cristo. Foi quando Jesus começou a agir em minha vida. Eu estava deprimido, bebendo muito (Red Label), quando vi de madrugada o programa evangélico na TV. Era o pastor Silas, num terno risco à giz, gravata vermelha de veludo e um sapato bico fino mui bem lustrado.

Fui na igreja e virei dizimista fiel, pois lá as pessoas eram realmente curadas. Depois de passar por várias denominações, encontrei o caminho da fé na Igreja Internacional. Hoje sou um respeitado pastor aqui em Alvorada, RS. Venci em Cristo.

Pastor Isaías

Ex-Médium hoje evangélico

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15/10

Na década de 90 os celulares começaram a se popularizar, eu nunca achei graça naquilo, até que um dia o meu professor da quarta-série apareceu com um Motorolla na cintura. Toda turma ficou maravilhada com aquela obra concreta da tecnologia pós-moderna.

Um dia, por coincidência, o celular do professor tocou em plena sala. Uma canção chamada city bird ecoou na minha cabeça, senti náuseas, tudo rodou, vomitei e acordei na enfermaria, me notificaram que eu sofrera um ataque. Depois daquele dia passei a evitar aparelhos celulares.

Sempre que eu chegava perto de um aparelho, me sentia estranho, só de chegar perto eu ficava zonzo, como se ouviesse vozes me chamando, umas vozes abafadas. Disse que ouvia vozes quando me aproximava dos aparelhos e fui motivo de zombaria. Diziam que era tudo coisa da minha cabeça e que era para procurar um psiquiatra. Só me restou recorrer ao meu avô, um médium conceituado num dos maiores centro espíritas da região, a temível Casa da Vovó Conga de Angola. Ele me disse que isso não é um problema, na verdade é um "dom" que só grandes médiuns tem. Que eu estava conectado com o mundo espiritual.

Passei a meditar todo sabado com meu celular colado em minha testa com a ajuda de uma fita isolante. A cada meditação eu me sentia melhor, na primeira eu já estava menos zonzo, na segunda começei a ouvir umas vozes abafadas, e já na terceira percebi que essas vozes eram de pessoas conversando entre si, as ligações dos celulares. Meses depois eu fui aperfeiçoando minha mediunidade, e consegui me conectar à uma rede maior ainda, a World Wide Web, através da rede 3G.

Num fechar de olhos eu acessava pornotube, wikipedia, orkut, youtube, msn, etc; Também mandava e-mails pra galera, como se eu fosse um computador ambulante. Melhor de tudo nesse poder meu é que eu podia tirar notas boas sem estudar, era só pesquisar no google, foi assim que passei no vestibular. O unico problema é que eu ficava com uma especie de ressaca depois que ficava muito tempo "navegando", eu nem ligava pra isso.

Depois que me formei na faculdade, com o auxílio dos meus poderes mediúnicos resolvi prestar um concurso público. Fiz minha inscrição e não estudei nada, afinal de contas, com meus poderes, uma rápida pesquisa no google e eu encontrava resposta para todas as questões.

Cheguei no local da prova confiante, sentei na minha cadeira e segurei meu celular com a mão esquerda, no que fui informado pelo filho da puta do fiscal de que eu precisava guardar meu celular e relógio numa sacolinha, além disso eu não podia usar meu boné Von Dutche durante a prova. Fiquei muito nervoso, não havia estudado nada. Pedi licença para ir ao banheiro antes do início e ele disse pra eu me apressar, pois só restava cinco minutos para o início da avaliação.

Cheguei no banheiro suando bicas. Como faria agora? Sem contato com o celular eu não conseguia acessar a internet. Eu precisava pensar rápido. Minha única saída foi inserir o aparelho no meu ânus. Com auxílio de um sabonete líquido o coloquei rapidamente, doeu mas não havia outra alternativa. Voltei pra sala e me sentei, sentindo um incômodo muito grande.

Comecei a fazer a prova, cada questão era resolvida facilmente, bastava uma pesquisa. Com certeza eu seria aprovado e desfrutaria de um gordo salário, que me possibilitaria comprar um bom carro para pegar mulher.

Terminei a prova, faltavam apenas 15 minutos para liberarem a saída dos alunos. Eu só queria ir pra casa retirar aquele incômodo iPhone. De repente, uma ligação. O celular tocava a música Borboletas, da dupla Victor e Léo, e a vibração me fez levantar abruptamente. O fiscal me deu a triste notícia da minha desclassificação. Saí da sala correndo, em prantos. Montei em minha Honda Biz e saí muito abalado, chorando e soluçando.

Elevei a rotação do motor à enésima potência, os 12 mil giros por minuto imprimiam na motoneta uma velocidade altíssima, que se aproximava dos 100km/hora. Por estar emocionalmente abalado, não vi o coletivo Volvo que estava em minha frente e bati à toda. Meu corpo foi lançado por cima de um muro num terreno baldio, fiquei imóvel, todo quebrado. Fiquei lá por mais de uma hora, ainda consciente, mas não conseguia gritar para que me achassem. Usei minhas últimas forças para me utilizar de meus poderes espirituais e discar para o 194 e requisitar o auxílio dos bombeiros.

Fui internado na Unidade de Tratamento Intesivos. Felizmente só quebrei a perna, três costelas, uma clavícula e perdi a omoplata esquerda. Duas semanas depois me recobrei do coma induzido e pude conversar com meus pais. Contei tudo o que havia ocorrido, tentei explicar o porquê de terem achado um celular no cólon do intestino, mas eles não compreenderam de início.

Durante minha recuperação no hospital conheci o pastor Abimael, que se recuperava de uma cirurgia de retiradas de amígdalas. Como ele estava sem poder falar, nos comunicamos por telepatia, ele me disse das coisas de Deus e me encheu de palavras belas e sublimes. Neste dia pude perceber que desperdiçava meus dons com trapaças e malandragem.

Hoje fui convertido e sou conhecido como o Pastor do Celular, ministro cultos na Igreja Internacional todas as sexta-feira e hoje sou um vencedor em Cristo.

Pastor do Celular.

Bacanal no Mobral

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26/09

Pastor Roberval, meu nome é Valdomiro Reis, sou obreiro da Igreja Internacional de Itapipoca, Ceará. Há 17 anos, quando me casei, cursava a 2ª série do ensino fundamental (para adultos). Era uma vida sofrida, saía as 18h00min da construção e ia direto pra o colégio, sem tomar banho nem nada. Naquela época, minha família toda evangélica, sempre me apoiou pra tudo, continuamente me dando força pra seguir adiante nos estudos e lendo versículos da bíblia durante as refeições. Apesar de pobres, éramos felizes com a graça do senhor, e toda essa felicidade, certamente era provida pelo dízimo pago semanalmente ao pastor Malaquias.

mobral

Na minha sala, eram 26 pessoas, das quais só eu era purificado (evangélico).Todos os outros eram membros de gangues católicas denominadas “grupo de jovens”.Com pouco tempo, apesar da distância física que sempre sustentava, aqueles papos sobre orgias sexuais na sacristia, rodízio de hóstias e farra de vinho aos poucos fora me seduzindo, não por minha fé, mas pela pouca idade e tamanha ingenuidade.Eu, com 32 anos incompletos e eles com cerca de 17.Aliciado pelas promessas de prazer e satisfação, comecei a freqüentar aqueles recintos.

No início, eu era cobiçado por todos devido aos meus dotes másculos, as garotas e garotos faziam rodízio pra se satisfazerem às minhas custas. Com pouco tempo minha fama se espalhou, ganhei o apelido de Fanta-Litro, sendo posteriormente convidado a participar de um filme intitulado “brasileirinhas”. Aquele foi o início do meu calvário. Completamente endemoniado e possesso por espíritos silvícolas, entrei no mundo das drogas. Perdi minha família, meus antigos amigos do culto, minha honra e meus preceitos. Fazia sexo com qualquer coisa que se movesse no chão, homens, mulheres, cadelas bexigosas, sariguês famintos, mendigos leprosos e escapamento de carros. Tudo sempre motivado por apostas, mas que no fundo só serviam de pretexto pra meu ato. Sabia que tudo aquilo era fruto de uma força maligna.

Aos poucos comecei a emagrecer, meu corpo foi coberto de caroços que expeliam pus esverdeado, úlceras gástricas e hérnias abdominais. Todo dia pela manhã, devido à ressaca das drogas, fazia vômito nas calçadas, defecava sangue nas fezes e tinha cálculos renais. Quando fui socorrido por uma ambulância do HGE, lá fiquei sabendo que eu tinha o vírus letal da SIDA, Gonorréia, tuberculose, lepra, estomatite e infecção generalizada. Ao ouvir aquelas duras palavras da equipe médica, me lembrei dos milagres do Pastor Malaquias e resolvi fugir do hospital e procurar uma igreja evangélica. Devido a repulsa que todos tinham de mim, fui açoitado e jogado numa lixeira. Levei alguns dias desacordado,quando fui salvo pelo Pastor Roberval, que me levou para seu carro, me deu roupas, abrigo e uma palavra de alento.

Hoje, curado de todas aquelas doenças, sou um afamado obreiro da Igreja Internacional, pai de família e fiel seguidor das palavras sagradas dos pastores.

Overdose

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25/09

Pastor, me chamo Suterlânio Moreira, sou natural da cidade de Belo Campo,MS. Nasci em família católica.Aprendi a consumir álcool com 8 anos, com meu pai, alcoólatra inveterado.Passei para drogas mais pesadas aos 14, por influência dos coleguinhas espíritas do colégio.Lembro-me que saíamos perambulando pela cidade, eles chamavam esses passeios de “rolês”, muito comuns na cidade de São Paulo.Nós fazíamos apostas para ver quem comeria a prostituta mais feia da quebrada, ou quem pichasse o muro mais alto.Quando matutinamente, entrávamos em igrejas evangélicas despidos propositadamente, peidávamos durante os cultos, fingíamos ataques de fúria só para quebrar as cadeiras de plástico, enfim, testávamos a paciência daquelas pessoas.O que me intrigava era que elas sempre se mostravam pacíficas e solidárias conosco, apesar das nossas grosserias.

Aos 16 sofri uma overdose. Foi lá que eu tive a visão do paraíso. Eram cerca de 6 da manhã e eu acabara de tragar o décimo cigarro de cannabis.De repente, como quem sofre uma rasteira marota, caí em decúbito ventral no piso fétido do banheiro. Lembro-me que ouvia as vozes dos meus comparsas perguntando aos paramédicos:

-- Ele vai sobreviver?

-- O que ele teve?

-- Tem uma morfinazinha ai, doutor?

-- Rápido, Tales, vê se ele não escondeu um baseado no bolso!

Nesse clima, fui levado ao hospital. Foi lá que conheci o Pastor Joselito Martins, membro da igreja internacional. Ele me falou umas palavras lindas, sempre citando a bíblia e Jesus. Fui convertido ali mesmo. Era meu dia de graça. A partir daquele dia, passei a pregar a palavra em praças públicas, bancos, livrarias e até em bordéis. Sentia que a cada palavra lançada ao ar, mais pessoas eram convertidas e salvas pela fé. Certa feita, quando almoçava com mais alguns pastores na churrascaria Los Pampas, vi que um dos meus antigos companheiros tentava furtar o DVD da minha Pajero TR4 à diesel. Não pensei duas vezes, liguei para a policia e denunciei o perigoso meliante. A cada soco no estômago eu ria disfarçadamente e regozijava ao Senhor.

Hoje sou um vencedor em Cristo.

Aleluia