Wando, o bárbaro

postado em: Testemunhos de Fé
26/11

conan Meu nome é Wando, moro em Bauru, tenho 13 anos. Ano passado me envolvi com revistas em quadrinhos e desenhos animados. Era um fã aficcionado de Conan. Ia ao sebo do baú comprar as revistas antigas da Marvel, que na minha opinião, eram as melhores.

Depois que chegava do colégio eu ia direto pro meu quarto e ficava lendo aquelas histórias fantasiosas de um jovem bárbaro que na era Hiboriana saqueava, matava e roubava. Um beberrão que gostava de espada, vinho, e mulheres.

Eu achava aquilo máximo, estudava os mapas da Hibórea, os deuses, os povos que habitavam aquele reino que datava de 10.000 anos antes da era glacial. Será que existiu mesmo a era Hiboriana? Será que existiu um guerreiro Cimério que não temia seus inimigos e tomava o que queria para si? Tinha as mulheres que desejava e era mestre com a espada?

Bem, enquanto eu lia aquilo me imaginava como um guerreiro saqueador, queimando vilas, estuprando as mais lindas mulheres loiras, ruivas, morenas. Tomando os tesouros e reinos para mim e sendo venerado como soberano. Usando minha reluzente armadura e meu elmo com chifres. Humilhando sob minhas sandálias raider os frágeis reinos da terra. Ao meu lado, minha rainha, a Sonja Vermelha.

Nesta época que eu lia Conan eu não frequentava à Igreja, e passei a cultuar os deuses pagãos dos quadrinhos. Sempre antes de uma prova eu rogava à Crom que eu pudesse tirar uma nota boa.

Eu vivia num mundo alheio, tudo girava em torno das histórias fantasiosas criadas por Edward Howard. E isto foi a minha perdição:

Foi numa quarta-feira, eu ia ao Sebo tentar achar algumas novas revistas. Poucas quadras antes de chegar ao local fui abordado por um cigano, com dentes de ouros e uma roupa característica, bandana na cabeça e um punhal cravejado de brilhantes em sua bainha.

- Meu jovem, você já pensou se pudesse se tornar invisível?

- Invísivel?

Sim, eu já havia cogitado esta possibilidade. Numa das aventuras de Conan o mago Thulsa Doom ficara invisível, isto dificultou muito a sua batalha. Mas no fim ele conseguiu derrotá-lo.
Lendo aquilo me imaginei invisível. Com certeza eu iria ao shopping center e pegaria pra mim um playstation 3, ou no McDonalds, inventaria um sanduíche novo com 3 hamburgeres, molho cheddar mcmelt, sem piccles e com ovo frito. Tomaria refrigerante e sorvete direto da máquina, colocando minha boca embaixo do registro. E depois faria uma visita particular à minha vizinha Marcela e a observaria tomando banho.

- Sim, invisível. - Respondeu o cigano.

- Isso existe mesmo?

- Claro que existe, é magia cigana. Você usa uma peça de roupa que o torna invisível aos olhos de qualquer um.

- Mas como funciona isso?

- Olha amigo, eu só vou vender isto pra você, porque vi que você é um cara legal e inteligente. É uma cueca cigana. Ao utilizá-la você fica invisível.

- Mas quanto é?

- Quanto você tem aí?

- Tenho 10 reais que minha mãe me deu pra comprar revistas.

- É, isso não vai dar, mas pego esse seu boné da von dutche também.

Negócio fechado, ele me deu a cueca para experimentar, era da marca Zorba. Coloquei lá no meio da rua mesmo, avenida Rodrigues Alves. O cigano chamou sua esposa e falou pra ela: Tá vendo aquele menino ali, Marileuza? Ela respondeu negativamente, disse que não via ninguém. Chamou os amigos ciganos dele e ninguém me notou.

- Por Crom! Funciona mesmo!

Fui ao Sebo, só com a cueca das invisibilidades. Entrei lá e peguei uma sacolada de revistas e saí sem pagar. O dono ficou olhando, mas ele deve ter estranhado as revistas se mexendo sozinhas. Rumei para o Bauru Shopping.

Entrei lá com minha sacolas de revista e fui direto pra loja Hard&Soft pegar meu playstation 3, mandei a mão na porta, já peguei a caixa e fui saíndo. Caminhava tranquilo com a caixa quando ouvi a gritaria atrás de mim: "Pega! Pega!"

Eram seguranças e o dono da loja. Fiquei assustado, joguei tudo no chão e saí correndo.

Fui apanhado e levado à uma sala secreta do shopping, a polícia foi acionada e chamaram meus pais pra me buscar. Todos estavam me vendo, só ali de cuecas, sentado na cadeira. Será que o feitiço acabara?

Meus pais ao chegarem e ouvirem a história ficaram muito desapontados, minha mãe chorou. Ao chegarmos em casa levei uma surra que nunca mais esqueci.

Meu pai perguntou olhando nos meus olhos. Filho, o que você quer da vida?

- Esmagar meus inimigos e ouvir o lamento das suas mulheres!

Meu pai balançou a cabeça negativamente e disse pra minha mãe: Precisamos colocar este menino em alguma religião.

No dia seguinte fui matriculado no colégio evangélico da Igreja Internacional, lá finalmente fui disciplinado no evangelho e parei de acreditar nestas histórias inventadas e agora descobri uma revistinha muito melhor, a Bíblia Sagrada, e leio histórias que são atestadas pelas escrituras, como Daniel na cova dos leões, Davi e Golias, Salomão e Sansão e Dalila.

Wando.


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