A Ira Divina
Meu nome é Agnaldo Chioquetta, tenho 41 anos. Moro em Porto Alegre, no bem estruturado bairro da Restinga.
Meu relato é uma história de superação e fé. Passei por maus bocados. Eu trabalhava na Procergs, pegava o ônibus todos os dias cedo, e lá no ponto se encontrava uma galerinha maligna. Eram uns estudantes que pegavam um outro ônibus, mas no mesmo ponto.
Eu sempre fui um sujeito pacífico e boa-praça, não sou de ficar nervoso. Acontece que um belo dia, um integrante desta infernal gangue brincou comigo e me chamou de careca. Achei engraçadinha a brincadeira e sorri. A pior coisa que eu poderia ter feito foi dar liberdade à esta garotada. Em pouco tempo me tornei alvo de xingões e brincadeirinhas de mal-gosto. Todo dia cedo eu era recebido no ponto com piadas, e até canções em minha homenagem: “O carequinha não faz xixi na cama…” “Aeroporto de mosquito, capacete espacial, só tem cabelo na nuca e também nas lateral…”, etc. Alguns mais audazes davam tapinhas na minha cabeça.
Eu fazia a alegria dessa galera. Chegava no ponto e já diziam: “Olha, lá vem o careca…”, “Atenção, passageiros, estamos nos aproximando do aerorporto…”, “Chegou o cabeça de Rôla”, “Lâmpada de 200 Watts”, “Bola 9 na caçapa”, etc. Eu sempre sorria, mas por dentro me remoía de raiva, ficava envergonhado na frente dos outros adultos que por ali estavam.
O escárnio chegou a tal ponto que quando eu acordava cedo ficava com medo de ir para o trabalho porque sabia que ia ter que aturar a criançada. Se houvesse outros pontos de ônibus nas proximidades eu trocaria, mas o outro ponto ficava a mais de 2km dali.
Como sou um homem apegado a Deus, evangélico desde que nasci, procurei a solução nas escrituras sagradas, a bíblia.
Agora vejam, irmãos, como a bíblia tem a resposta pra tudo. Lendo alguns trechos encontrei justamente uma passagem que resumia todos os meus problemas:
REIS 2. 23
23 Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo!
24 E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.
Me senti reconfortado sabendo que o profeta Eliseu sofrera o mesmo tipo de zombaria que eu. Agora eu sabia que Deus estava do meu lado e repudiava este tipo de atitude.
Orei bastante, com muita fé. Pedi ao Senhor que enviasse uma punição para estes malfeitores. Esta vilania não podia se consumar novamente. Queria minha honra de volta.
Acordei um dia cedo, com bastante confiança, tomei banho, penteei meu cabelo (o pouco que me restava) e parti para a minha jornada. Quem mora em Porto Alegre deve se lembrar, em 1998 houve um acidente automobilístico que vitimou 4 crianças. Foram justamente as crianças que me perturbavam. O ônibus perdeu o controle e invadiu o ponto. Quando vi a cena ri-me e regozijei-me com toda a glória.
Neste dia soube que o Senhor habitava aquele lugar.
Agnaldo Chioquetta – Analista de Sistemas.
Porto Alegre – RS.


