Ex-Álcoolatra hoje Obreiro

postado em: Testemunhos de Fé
24/09

pinga

Meu nome é Clediovaldo, 30 anos. Sou ex-álcoolatra. Quero deixar registrado meu testemunho de fé neste blog que tanto nos esclarece e ilumina.

Tudo começou no meu antigo emprego, eu fazia entregas de mercadorias em outras cidades. Era ajudante do choffer de caminhão. Minha vida era viajar. Esta época foi boa, pois conheci todo o bem estruturado estado do Maranhão à bordo de um veloz Mercedes 608.

O porém é que eu não me sentia à vontade para ir ao banheiro durantes as viagens, sempre me acostumei à fazer as necessidades em casa. Comecei a sofrer certo desconforto com a prisão de ventre. O motorista do caminhão, Josivaldo, me aconselhou tomar um charope de cerveja chamado Schincariol. Era um laxativo natural.

Essa bebida era vendida num estabelecimento denominado BAR, onde se vende também um líquido entorpecente conhecido como álcool, e popularmente como 'cachaça'.

Eu, inocente e leigo no assunto, passei a consumir regularmente esta cerveja, sem saber que ela também continha álcool, num nível menor que as outras bebidas. 4,5% de teor alcóolico.

A schincariol é um laxativo muito eficiente, passei a depender dela em todas as viagens que fazia. Além disso, eu tinha predileção por ela estupidamente gelada, na temperatura de -5º Celsius, pra mim o ideal. Logo comecei a me viciar. Passei a consumir mais de uma garrafa e também quando não estava em viagem.

Certo dia, no bar do Divino Perereca, tomei dez daquelas garrafas. Além disso ainda comi um espetinho de coração, duas salsichas em conserva, sete espetos de flango com bacon, um prato com azeitonas, queijo e rodelas de salame milimetricamente cortados com grande precisão. Entrei numa espécie de transe e fiquei num estado de mente alterado, cheguei em casa transtornado quebrando tudo, derrubando estante, televisão (CCE), agredindo minha esposa e filha com uma sandália havaiana e meu cinto de couro curtido.

No dia seguinte acordei com uma dor latejante na cabeça sem me recordar de nada que fizera. Minha esposa foi embora deixando uma carta de despedida. Fiquei muito triste e para afogar minha tristeza somente muitas rodadas de Nova Schin e tira-gosto.

Passei a ser um álcoolatra inveterado. Nas festinhas de família eu sempre ficava bêbado e dava vexame, dançava em cima das mesas, vomitava e passava a mão na bunda das minhas cunhadas e tias.

Em pouco tempo fui ao fundo do poço, a Nova Schin já não era suficiente pra mim. Passei por todo rol da Ambeve: Antárctica, Skol, Sol, Kaiser, Brahma, Glacial e até mesmo a Itaipava (a pior delas). Cheguei inclusive à misturar as marcas para um efeito mais potente.

Numa de minhas bebedeiras no bar do Divino Perereca me ofereceram uma dose de destilado. Pela primeira vez provei a cachaça produzida em Pirassununga, a famosa 51. Não é à toa que ela é conhecida como 'marvada', 'diaba', 'cachorra', etc. Depois da primeira dose não me recordo de absolutamente mais nada.

Acordei na sarjeta, sem minha carteira, sem a chave de casa e sem minhas calças. Levantei e senti grande dor na região lombar anti-frontal. Pelo local da dor provavelmente fui violado. Estava todo sujo e cheio de arranhões.

Sem um tostão no bolso vaguei à esmo. Tudo que eu queria era tomar outra dose. Um pouco afrente senti o aroma característico de álcool no ar, fiquei deveras atiçado. Um posto de gasolina, logo à frente, e um senhor abastecendo seu carro, um chevette verde-escuro. Me adiante, tomei a bomba do frentista e comecei a mamar o combustível. Em poucos segundos saí de mim e desmaiei.

Ao acordar com uma ressaca nunca dantes vista, por um instinto me apalpei para verificar se não tinham me violado novamente. Pra minha surpresa eu estava vestido com um pijama com cheiro de amaciante Ypê, numa cama macia e com uma garrafa d'água ao meu lado.

Tomei a água e a porta se abriu. Era um homem com um sorriso cativante, óculos de leitura com um rosto que transmitia sabedoria e emanava luz. Silas o seu nome.

Ele me deu bom dia e me disse que eu estava possuído por uma entidade do umbanda chamada Raul Seixas, que me compelia à consumir álcool desenfreadamente. Felizmente eu já estava livre, após isso fui doutrinado no evangelho e Silas me encheu com palavras belas e sublimes. Graças à sua ajuda hoje me reconciliei com minha família, sanei o problema da prisão de ventre e sou um respeitado obreiro na Igreja Internacional.


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