O GPS maligno

postado em: Testemunhos de Fé
04/07

GPSMeu nome é Oscar, possuo um Gol Geração 2 mi prata, motor 1.0, 8 válvulas, ano 1999. Esse carro é meu xodó, dou revisão de 6 em 6 meses, só uso óleo de boa qualidade, coloquei um estofado de retalho colorido nos bancos, um ventilador no painel, um adesivo ‘Jesus é o Senhor’ no pára-brisa traseiro, neon azul no teto e embaixo do carro, rebaixei, roda aro 15″ do golf, manopla, volante e pedais esportivos.

Faço faculdade de História na UFG, o pessoal que estuda lá é muito envolvido com álcool e maconha, e por influência deles acabei me distanciando do caminho do Senhor.

Passei a beber todos os finais de semana com a turma da universidade, tudo por causa de uma menina boêmia, que acompanhava o grupo. Ela nunca me deu bola, eu ficava ali bebendo e conversando com esperanças que ela reparasse em mim. Acabei me tornando um álcoolatra.

Goiânia é uma cidade bem grande, conheço pouco, sou do interior; Às vezes dirigindo de volta pra casa bêbado eu me perdia, tinha que ficar pedindo informação de madrugada, coisa muito perigosa. O meu amigo, Michel, me recomendou comprar um aparelho GPS, disse que era muito bom e que tava barato. Dei uma pesquisada e achei muito interessante, além de me ajudar seria um incremento a mais no meu carro.

Fui ao camelódromo em Campinas e comprei um novíssimo GPS da marca BOOSTER, fixei-o no vidro de meu carro e fiquei muito contente. Fiquei muito feliz com o aparelho, agora eu podia ir em qualquer lugar! A senhorita ia me indicando os caminhos: “Vire à esquerda”, “Vire à direita”, “Siga em frente por 100 metros.” …

Sempre que voltava da balada ligava o aparelho e ele ia me guiando até meu lar. Só não o usava para os caminhos mais comuns, como ir pra UFG e para a Igreja. Nesta época eu ia a Igreja só para ter status de bom moço, uma fachada apenas, para ficar ‘bem-na-fita’, mal escutava as palavras do pregador.

Por causa do meu distanciamento o Diabo me colocou uma armadilha, e para isso usou a coisa que eu mais amava: o meu carro.

Mais uma vez fui beber, enchi a cara, não peguei mulher nenhuma como sempre. Saí do barzinho bem embriagado, entrei no meu carro, marquei a rota do GPS pra minha casa. E logo a mulher falou: “Siga adiante 3 kilômetros”. Tudo bem, lá fui. Em seguida ela me mandou pegar a esquerda, virei. O problema é que era uma ciclovia, e assim que me situei ouvi um impacto. Atropelei um bicicleteiro, ele arrebentou o meu pára-brisa e caiu no asfalto. Meu primeiro pensamento foi de descer do carro e dar assistência pro atropelado, mas logo após a batida a voz disse: “Siga adiante por 600 metros”. Aí tiver que ir e deixei o ciclista lá estirado. Tentei vê- pelo retrovisor, mas tava bastante escuro o local.

Finalmente cheguei em casa, estacionei o carro e fui direto pra cama, tava bêbado demais. No outro dia acordei na maior ressaca, nem me lembrava direito do acontecido. Tomei o café e passei pela minha garagem. Choque ! Vi meu carro com capu amassado e pára-brisa todo trincado e com sangue.
Agora mal consiguia dormir com tamanha dor de consciência. Será que havia matado o cara ?

Essa dúvida corroeu meu peito por muito tempo, pois apesar do alcoolismo ainda era uma pessoa temente à Deus. Mantive essa história só para mim, até que um dia na Igreja, pastor Salatiel Botafogo se aproximou e perguntou o que me aflingia e que havia notado que eu estava triste ultimamente. Pedi pra conversar particularmente com ele, fomos ao seu escritório e lá desabei, contei toda a história e meu envolvimento com a cerveja de marca Brahma.

Salatiel me iluminou com sua sabedoria e disse que a única maneira de eu ser perdoado por Deus era passando pelo batismo na piscina sagrada, foi o que eu fiz e depois que fui tocado pelo Espírito Santo renasci em Cristo e me tornei uma nova pessoa.

Oscar.


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