O Motoqueiro
Comprei ano passado uma Suzuki Intruder 125cc verde escuro, ela era de segunda-mão. Sempre quis ter uma moto, e meu amigo me ofereceu ela bem barata, tive que comprá-la. Ela tem partida elétrica mas não tem a partida de pedal, um ponto negativo, infelizmente. Incrementei ela aos poucos, coloquei o peão de 17″ da Honda CG no lugar do peão original, rebaixei o cilindro e ela passou a pegar 140km/hora, antes não passava dos 90.

Me divertia muito com essa moto, ia pra faculdade, tirava onda com as gatinhas, empinava. Quando não tinha nada pra fazer em casa eu dava uma voltinha. Gostava tanto dessa moto que até cogitei tirar habilitação.
Era tanta badalação que eu mal tinha tempo pra Deus, eu nem mesmo sabia quem era o Jesus, o protagonista da bíblia.
Minha principal diversão fora a moto era tomar um aperitivo, que eu não sabia que era obra do Diabo ainda, era a cerveja. Tomava uma todo dia no bar do Divino Perereca, depois saia sossegado passeando.
Foi quando a falta de Deus em minha vida começou a começou a me prejudicar. Sofri três acidentes consecutivos.
O primeiro foi quando saí da casa de uma amiga minha que se recusou a estabelecer relações amorosas com minha pessoa. Saí de lá bem alcoolizado e nervoso, ao virar a esquina bati a moto no meio-fio e levei um tombaço. O pior de tudo foi que ela ficou olhando e nem me ajudou. Me recompus e averigüei os danos, nada de muito grave, o mata-cachorro salvara a moto.
O segundo foi na avenida mais movimentada da cidade, bem em frente ao point, que estava lotado de gatinhas e a galera da faculdade, todo final de semana era o ponto de encontro da galera. Eu vinha descendo com a moto prestando atenção no giro de rotação e nem vi um rapaz afro-descendente com uma bicicleta batendo papo e parado no meio da rua. O impacto me jogou no asfalto e rolei bem umas 5 vezes. Os descupados que lá estavam fizeram o maior ‘Auê’, gritaram: ‘Vai, cachaceiro!’. A moto ficou bem arranhada, mas nada de grave novamente. Desta vez fiquei muito triste porque fui humilhado por praticamente todos os jovens da cidade, haja visto que eu moro no interior.
O terceiro e pior quase me matou. Eu, completamente embriagado, descia a rua de casa em alta velocidade quando um carro deu ré para sair da garagem e não deu tempo de desviar. Passei por ima e caí no asfalto, quebrando meu membro superior esquerdo. Gritei de dor e sujeito ainda fez pouco caso, dizendo: “bêbado de novo pra variar, né, safado?” Ele ligou pro meu pai, disse que eu bati porque estava em estado etílico. O meu pai chegou lá uma fera, me levou pro hospital, tive o braço engessado e retornei pra casa. Fiquei quase um mês sem mexer com a moto, papai passou a me levar de carro pro curso.
Cansado de ir de carona resolvi arrumar a moto. A parte mecânica de funcionamento estava perfeita pelo visto, só tinha empenado a bengala. Levei a bengala na torneadora e a desempenaram. Após o procedimento ficou boa, mas notei que a bengala estava vazando óleo, liguei pro mecânico e ele disse que eu precisaria arrumar um retentor novo e que não ia ser fácil arrumar, porque na cidade só havia peça da Honda e da Yamaha, teria que buscar na capital. Mesmo assim dei umas voltas procurando o retentor.
Foi aí que conheci Silas, ele estava instalando um som no seu Toyota Corolla prata. Perguntei se alguém ali na lojinha sabia de retentor da Suzuki e o pastor se aproximou. Me disse que retentor só havia um, Jesus Cristo Retentor, e me encheu com palavras belas e sublimes. Conversamos bastante, lhe falei dos meus três acidentes e ele me explicou os motivos das quedas, a falta de Deus. Passei a frequentar o culto a partir daquele dia mesmo.
Hoje venci em Cristo, fui erguido obreiro e nunca mais caí de moto nem toquei em bebida álcoolica.
Que fique registrado meu testemunho.
Obrigado Silas.

Igreja lotado, cheia daqueles católicos, o velho de saia lá na frente começou a tal missa, falando um monte de bobagem de santo e tal. Quando o cigarro queimou e acionou o foguete deu pra escutar um rastilho de pólvora fazendo “Tssssss”, todos lá olharam pra Santa, alguns segundos de silêncio e após isso um tremendo”BUUUUUM!”, o santo vôou alto, as pessoas correram assustadas, foi um verdadeiro samba-do-crioulo-doido.
Adentrei meu vasto quintal, toquei a enxada, esta fervia no ardor de Cristo. Retirei minhas vestimentas, respirei fundo e sentei. A dor. Suprimi um grito, escorreram lágrimas, mas tive fé e muita perseverança, talvez a maior em toda minha vida. Senti o ferro esfriar, apliquei o óleo de unção. Ardeu bastante.

