Sacrifício Caprino

postado em: Testemunhos de Fé
25/09

Pastores, meu nome é Geferçon Augusto Brito, sou natural de Campo Formoso, Bahia. Durante minha infância, devido à labuta da roça, não tive oportunidade de estudar. Arava a terra de manhã, plantava as sementes à tarde e regava de noite. Era uma vida sofrida, minhas mãos eram repletas de calos e minha pele enrugada pelo rigor do sol. Às vezes, quando haviam festas, vestia-me com a roupa da missa e saía à caça de uma boa parideira para me satisfazer, mas devido minha feição rude, nunca conseguia nada, acabando sempre me aliviando com a Juju, cabritinha leiteira da roça do meu tio Gumercindo. Aos 28 fui morar em Feira de Santana com uns primos. Eles cursavam história na UEFS. Feira de Santana é conhecida nacionalmente pela pouca honestidade do seu povo, sendo considerada a capital nacional da pirataria. Lá, você encomenda peças usadas, ou seja, os próprios comerciantes roubam os carros para fazer desmanche.

Durante o dia, ficava assistindo TV globinho e sessão da tarde enquanto meus primos estudavam. Nos finais de semana, nas repúblicas vizinhas, me saciava com as orgias praticadas pelos estudantes, sempre muito embriagados e emaconhados (prática comum dos historiadores). Aos poucos fui me desligando de Cristo, apesar de ser de família católica, eu sempre resguardei honra e dignidade. Durante essas orgias, eu me aproveitava das estudantes inconscientes e praticava sexo com elas. Eu até tentava seduzir algumas moçoilas, mas minha feiúra era primaz nas relações, então, sempre namorava as desmaiadas.

Apesar da satisfação carnal, eu sentia que algo me faltava. Não era dinheiro nem luxo, afinal, sempre fui humilde. Com essa angústia, passei a freqüentar as noites dos bairros e, com questão de tempo, estava eu envolvido com a escória da sociedade. Eram viciados em narcóticos, prostitutas, espíritas e até membros da maçonaria. Aos poucos comecei a freqüentar esses ambientes sórdidos. Seções de espiritismo, missas católicas noturnas e rituais maçons. O estopim da minha crise existencial foi a cena de um cordeiro sendo sacrificado para alimentar o exu-maçon. Na hora em que a faca rangeu no pescoço daquele pobre cordeiro, subitamente me lembrei de Juju e de tudo que passamos juntos. Lágrimas correram-me nas faces e um sentimento de raiva tomou meu corpo. Fui como um louco para cima do Grão-mestre, que jogou a cabrita e deflagrou um golpe no meu abdomen. Era uma faca Tramontina de aço inoxidável, com fio muito cortante. Devido à sua precisão ninja, com um só corte meus intestinos saltaram para fora do meu corpo. Fiquei insanamente eqüitativo, parti pra cima dele e num só salto, finquei a faca no seu músculo esternocleidomastóideo, derrubei um dos castiçais e agarrei a pobre cabritinha nos meus braços. Com uma mão segurava a ex-oferenda e com a outra meus intestinos. Saltei o muro principal num só impulso, inspirado na medalhista olímpica Maurren Maggi. Quando pousei do outro lado, devido aos ferimentos, acabei por desmaiar.

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Depois de três dias em coma profundo, fui acordado por uma luz intensa que se assemelhava ao sol. Eu mal podia enxergar devido à sua exuberância. Poucos segundos depois, percebi que se tratava do Pastor Roberval Santana, que fazia sua visita semanal aos leitos das UTI’s, salvando pacientes terminais, como eu mesmo. Depois daquela visita, me recuperei das cirurgias (mal sucedidas) em algumas horas.Hoje sou um afamado obreiro da Igreja Internacional.


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