Só pode haver um
Pastor, Silas. Meu nome é Miguelito, tenho 12 anos e moro no interior do Mato-Grosso. Aqui há um lago com vários cágados, aquelas tartarugas que vivem n’água. Todo dia recolho uns 20 cágados novos e levo pra minha casa num balde vermelho. Chegando lá as levo até a oficina do meu pai e coloco, de duas em duas, numa prensa hidráulica. Organizo uma tabela na forma de chaves, como nas disputas futebolescas remotas.Prendo-as com esmero, buscando centralizar com perfeição a força à ser aplicada. Vou apertando a prensa igualmente até uma das duas estourar. A que não é estourada é a campeã da rodada, ganhando o direito de enfrentar outra oponente na disputa. No final só sobra uma, a vencedora, que possuir o casco mais forte. Levo-na até uma caixa de sapatos (Nike Shox) recobertas com papel alumínio, simbolizando o Adamantium do seu escudo. Logo após, as vencedoras são separadas e colocadas num criatório, um aquário com água salgada (concentração de 25%) por cinco minutos. Como elas ficam desidratadas, em seguida são encaminhadas para um recipiente de plástico onde recebem ração e podem nadar à vontade na piscininha que improvisei.
Todos os dias faço o mesmo procedimento, com o objetivo de selecionar as espécimes mais fortes, com o objetivo de cruzá-los. Há seis meses venho trabalhando. Inclusive estou procurando outro lugar bom de cágado, pois lá no laguinho já há poucos disponíveis, talvez seja consequencia dos efeitos do aquecimento global.
Meu objetivo é conseguir uma raça de cágados com uma carapaça impenetrável para forjar uma armadura e ingressar no seu exército da salvação.
Miguelito


