Zinedine Zidane e a Copa 1998
Pastor Roberval, meu nome é Julian das Neves, sou natural de Salvador. Esse é o meu relato de fé, espero que o Senhor leia-o e divulgue, para que assim, ao ler, as pessoas não tomem o caminho errado, como eu fiz.
Tudo começou no ano de 1998. Durante a final da copa do mundo de futebol, meu cunhado, Sirlei, adquiriu uma TV CCE 29 polegadas com controle remoto, som estéreo, closed capition, função DSC e sleep. A novidade foi tão bem recebida, que toda a vizinhança vinha conhecer aquela obra de arte da eletrônica pós-moderna.
Toda a família se reunia durante as partidas. No exato dia da final, organizamos um churrasco grandioso. Fomos ao açougue do Julhão, compramos 2 kg de alcatra, 2 de picanha, 3 de fraldinha, 5 de coxão duro e 5 de calabresa sadia pré-cozida. Partimos em direção ao Boteco do Seu Borba, no qual compramos 1 caixa de Antártica Pilsen, 2 litros de Pitú e 1 carote de leite de onça.
Pronto, nossa festinha estava armada. Chegamos em casa e começamos o churrasco, embalados ao som de Zeca Pagodinho e Leci Brandão. Começado o jogo, eu já empanzinado com tanta carne e cerveja, a cada lance do Rivaldo eu ia à loucura, até que a França marcou o primeiro. No exato momento senti uma agulhada na altura do pâncreas, mas como já estava embriagado relevei.
E lá veio o segundo gol, e sua conseqüente pontada. No terceiro, desmaiei. Eu vomitava sangue e expelia um grosso pus alaranjado pelo ânus. Apesar da eminente embriaguês familiar, fui levado ao Hospital Geral do Estado no Volkswagen TL 1.600 com carburação dupla e cilindros em linha (boxter), rumamos à toda velocidade, forçando seu potente motor quatro tempos de 65 cavalos e exigindo ao máximo o câmbio manual de 4 marchas.
Saímos à toda velocidade e, quando alcançamos a avenida paralela, seu painel retrô indicava 140km/h. Pouco menos de cinco minutos e já estávamos na entrada do pronto socorro. Depois de toda aquela descarga de adrenalina, recobrei a consciência e já estava me recuperando do baque. A terapêutica denunciou a presença de cancro, infecção generalizada, câncer de próstata e Hepatite C.
Deram-me seis meses de vida. Entrei em depressão e tentei suicídio 3 vezes. Na quarta tentativa, me joguei na avenida mais movimentada de Salvador. Só esperava que um caminhão me fizesse de lombada e ceifasse de vez meu sofrimento.
Foi ai que uma pick-up freou a tempo de não me matar. Era uma Cherokee LX5 5.9 V8 Limited com teto Solar, ano 1998/1999 à Diesel.Era o pastor Roberval, que acabara de sair de uma partida de tênis na Costa do Sauípe. Ele me deu carona até a sede principal da IGREJA INTERNACIONAL, no bairro de Cajazeiras. Depois de muita oração e seguidos batismos na piscina sagrada, fui curado de todas as patologias. Lá fui alimentado de corpo e alma, casei-me com uma varoa evangélica de 16 anos, depois do sorteio de casais. Hoje sou um empenhado obreiro, cuja missão é evangelizar a todos os transeuntes, sendo especializado em converter pessoas com baixa auto-estima.


